Aventure-se comigo...

Aventure-se comigo...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mario Quintana

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

SEXO VIRTUAL


Estava lendo as novas postagens dos blogs que eu acompanho e notei um assunto em comum: a dificuldade de se estabelecer relacionamentos satisfatórios nos dias de hoje. Parece que, a despeito de toda a facilidade que a internet trouxe, hoje é mais difícil encontrar alguém para um relacionamento mais sério do que antigamente, quando os casais se conheciam pessoalmente, olho no olho. 

E com a internet, veio o msn, a webcam e o tal do "sexo virtual". Confesso que não curto essa modalidade, não por moralismo, timidez ou coisa que o valha, mas, simplesmente porque acho uma forma PREGUIÇOSA de se relacionar - se é que podemos chamar de relacionamento um homem e uma mulher mostrando suas partes íntimas para uma câmera, fazendo caras e bocas.

Para os homens, que são mais visuais, parece-me ser mais atraente esse tipo de conexão à distância. Seria, assim, uma maneira de economizar com revistas masculinas para buscar inspiração, além do apelo de ser uma atividade ao vivo e interativa. Para mim, no entanto, com todo o respeito aos que apreciam essa modalidade, o sexo virtual é um "desserviço à humanidade". Nada substitui o toque, a pele, o cheiro, o gosto, o calor de se estar com alguém. 

Minha sugestão fica para os homens: deixem de ser preguiçosos e acomodados, a curiosidade de se ver uma mulher na webcam jamais deveria substituir o desejo de tocá-la e conhecer seus segredos e encantos que só a presença física é capaz de proporcionar. Menos preguiça e mais atitude, meninos!

domingo, 11 de dezembro de 2011

TENTE USAR E SORRIR...

Descobri que muitas mulheres são mais loucas e masoquistas do que se suspeitava... Grande parte usa regularmente cintas, meias de alta compressão e coisas do gênero, para disfarçar gordurinhas que, muitas vezes, estão na cabeça delas! 
Sim , mesmo tendo um peso adequado, um abdome sem excesso de gordura, há mulheres que se apertam o dia inteiro para disfarçar o que não precisa ser disfarçado. E ainda usam salto alto, fazem chapinha, depilação à cera, passam fome, tudo em nome da beleza. Isso é vida? 

Eu fui muito magra boa parte da minha vida. Baixinha e magrinha, minha mãe vivia enfiando na minha goela abaixo, gemada, óleo de fígado de bacalhau, Biot^pnico Fontoura...
Nos últimos 5 anos, ganhei peso coincidentemente quando meu nivel de estresse aumentou. Nesse período eu me separei, mudei de atividade profissional, deixei de fazer as coisas que eu gostava, minha família desmoronou, tive um namoro complicado... 
Meus quilinhos a mais teimam em permanecer, mas eu me R-E-C-U-S-O- a usar essas cintas para disfarçar minhas gordurinhas. Muito menos me submeter a uma lipoaspiração que, sinceramente, com todo respeito à opção das pessoas, eu acho a maior violência que alguém pode praticar contra si mesmo. Em geral, são as mulheres que agem como suas próprias carrascas. Veja se existe algum homem que, após ganhar aquela barriguinha de chopp, vai se sujeitar a usar um instrumento de tortura como esse? Nem lipo nem cinta, eles desfilam orgulhosos suas panças pelas praias brasileiras, de sunga, sem a menor cerimônia.

Mulher, seja você gordinha, pedaçuda, curvilínea, fofinha, obesa... use o adjetivo que quiser, tenha um pouco de amor por você mesma. Assuma seus quilinhos ou vá ao médico e procure uma nutricionista. Não adianta usar a técnica de avestruz e ficar apertando a barriga, até o seu estômago ir prar na garganta... Você vai continua parecendo gordinha, a única diferença será no seu humor, ao final do dia. Sorrir usando uma cinta dessas, só mesmo a modelo da foto, que está ganhando uma boa grana para fazer isso.


Essas fotos não foram retocadas com Photoshop. Trata-se da mulher com a cintura mais fina do mundo, Cathie Jung de 72 anos, dos quais 25 anos foram usando ininterruptamente cintas modeladoras. Honestamente? Ainda prefiro minha barriguinha, do que essa aparência bizarra. Mas gosto é gosto, né? Afff...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

MELHOR TERAPIA PARA O ESTRESSE É SEXO

"Sexo é o tranqulizante mais seguro. É 10 vezes mais eficiente do que Valium"

Agora já tenho a perfeita justificativa para aproveitar sem culpa: não engorda, não faz mal à saúde e não é pecado. 
Minha médica prescreveu uma hora de atividade lúdica, todos os dias, para diminuir meu nivel de estresse. Afinal, faz dois anos que eu não tenho uma semana se sossego, sem que um problema caia na minha cabeça igual a um tijolaço.
À beira da exaustão emocional e mental, faço terapia, tomo antidepressivo e estou procurando cuidar mais de mim, dedicando a mim mesma uma hora diária  de diversão.
Vale cinema, artesanato, dança, música. Mas, eis que surgiu em momento apropriado Mr. A, um "remédio" irresistível, cheiroso, sem contra-indicações e ... ai meus sais...abençoado com uma barriga tanquinho. Ele deveria vir com uma tarja preta, com a advertência para ser consumido com moderação. Será que corro o risco de overdose?
Das duas, uma. Ou eu vou ficar curada, ou morro de vez.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O DILEMA

Dois porcos-espinhos namorando
Existe uma teoria interessante sobre relacionamentos, "The hedgehog dilemma" (o dilema do porco espinho), que tenta explicar o motivo pelo qual muitos de nós entramos em relacionamentos com tanta cautela, cheios de dedos, em estado de alerta, aguardando o momento em que o outro nos fará sofrer.

A explicação seria mais ou menos assim: um grupo de porcos-espinhos  buscam a proximidade uns com os outros para aquecerem-se durante o frio. No entanto, eles precisam manter uma certa distância para que os espinhos  não machuquem uns aos outros. Ou seja, apesar do desejo de se aproximarem o máximo possível, esse desejo acaba por não se concretizar por motivos que eles mesmos não podem evitar.

Schopenhauer e Freud analisaram essa teoria para descrever a dificuldade do ser humano em criar intimidade, apesar da boa vontade e do desejo para tanto. 
Estaremos fadados a criar relações pautadas por um  comportamento cauteloso e superficial? 

Confesso que eu, escorpiana típica, incontáveis vezes joguei-me de cabeça em relacionamentos amorosos intensos, daqueles que mudam sua vida de um dia para o outro. Quando o meu coração comandou essas decisões, invariavelmente eu vivi situações maravilhosas, algumas tiveram um alto custo emocional, posteriormente.
Meu segundo casamento foi assim, em menos de um mês eu me apaixonei, separei-me do meu então marido e juntei os trapinhos com o novo amor. As chances de algo assim dar certo é muito remota, no entanto, vivemos juntos 12 anos e fui muito, muito feliz durante boa parte desse tempo.
Acabou sem traições, sem drama "operesco", mas deixou o pesado fardo de eu não mais acreditar no amor. Afinal, esse relacionamento trouxe tudo aquilo que eu sonhava, não há nada que eu quisesse ter vivido dentro de uma relação que não tenha experimentado no meu segundo casamento. E ainda assim, acabou. Perdeu a graça, perdeu o encanto, mudei, mudamos, sei lá.

Mesmo não tendo sido "espetada" pelos espinhos do ex-maridão, criei uma resistência a novos amores. Eu quero vive-los, eu sou feita de emoções intensas e preciso me apaixonar, amar... 
Aí aparece um pretendente e tudo o que eu faço é ficar procurando "espinhos" no infeliz: ahhh não vai dar certo porque ele mora longe, porque ele não é carinhoso o suficiente, ou é carinhoso demais, ou é muito novo, blábláblá...

Eu já não estou me reconhecendo, será que isso é amadurecer? Quero, não! Quero ser arrebatada, novamente. Quero que esse dilema vá para o inferno, quero um porquinho-espinho me espetando todinha. Nada que uma pomadinha hipoglós não cure. 

Minha decisão para o próximo ano, é viver um grande amor. Mais um, diferente, não menos intenso e tão transformador quanto os grandes amores podem ser.

domingo, 6 de novembro de 2011

SEM SAÍDA...

 Há alguns anos atrás, eu estava sentada na sala de espera do meu médico, folheando uma revista ao acaso. Deparei-me com um artigo que se tornou importante e inesquecível na minha vida. O assunto, em si, era banal: uma leitora da revista perguntava ao psiquiatra Paulo Gaudêncio a respeito da difícil decisão que ela teria de tomar. A resposta, no entanto, foi de um brilhantismo, que passei a ser fã desse médico/psicanalista, desde então.
 Eis a resposta:

"O que você está me perguntando é: "Como faço para me arriscar sem correr riscos?" 
Há anos vejo pacientes meus procurarem um jeito de realizar essa proeza e torço para que um encontre a fórmula. Aí vou poder usá-la também. Porém, duvido que alguém ache. 
Quando o espanhol Hernán Cortés invadiu o México, no século 16, se deparou com ouro demais e astecas demais. Com poucos soldados, botou fogo nas caravelas para que ninguém pudesse voltar e introduziu o estilo ou-dá-ou-desce na história. Empreendeu a conquista mais sangrenta da humanidade, uma barbaridade. Mas, quando fazemos uma opção na vida, é um pouco assim: temos que queimar simbolicamente as caravelas. Pelo visto, você preferia deixar um barquinho escondido atrás da moita..." (Paulo Gaudêncio/ Revista Nova)


Correr riscos faz parte da vida. 
Arriscamos quando nos apaixonamos - e se a pessoa amada nos ferir, o amor acabar?
Arriscamos quando escolhemos uma carreira que nos ocupará durante anos de estudo - e se não for isso que eu quero fazer da vida?
Arriscamos nas escolhas dos amigos, na decisão de ter filhos (ou não), nas mudanças que promovemos internamente. E, na maioria das vezes, não há como voltar atrás, não existe um barquinho atrás das moitas, não podemos mais voltar para o conforto do passado. 
Todos nós, cedo ou tarde, passaremos por essa experiência vivida pelos soldados espanhóis - de um lado, astecas dispostos a matar ou morrer para defender seu povo, de outro, as caravelas queimando no mar, descartando qualquer possibilidade de fuga. Nada mais resta a não ser gritar:
- Agora fod*#@u !!
E agarrar a espada com fé e vontade.

sábado, 24 de setembro de 2011

MAIS UMA SOBRE O FACEBOOK


Parece que o Facebook pegou mesmo. Até meus amigos mais resistentes acabaram se inscrevendo. Com isso, as chances de se reencontrar algum amigo do passado distante, é muito grande. Páginas que reúnem ex-alunos de colégios e faculdades tornam essa tarefa mais fácil ainda.

O que tem acontecido comigo - e provavelmente com quase todas as pessoas - é ficar eufórica e surpresa ao reencontrar alguém no Facebook com quem não tenho contato há muito tempo. Décadas se passaram sem que eu sequer lembrasse de algumas pessoas, de repente: BUM! Aparecem na minha página, adicionamo-nos alegremente, trocamos duas ou três mensagens. Aí, fica aquela coisa meio sem graça, aquele diálogo "é...hã...então..." 
Esse amigo volta a ficar esquecido na interminável lista de amigos da lista, que cresce a cada dia.

Ao mesmo tempo que acho muito válido esse reencontro, percebo que, rapidamente, ele cai em um vazio. E me pergunto: qual o motivo dessas amizades que um dia foram importantes para nós, não tomarem um novo impulso com o reencontro? Não seria bom retomar as boas experiências do passado? 

Eu reencontrei um amigo da adolescência, a respeito de quem eu escrevi um post neste blog já faz um tempinho.Vivemos uma espécie de romance platônico durante uns 3 anos, até que perdemos contato. Ele casou, eu casei. Um  dia ele me encontra no orkut, passamos a nos falar no msn, e ele confidenciou que nutriu uma paixão verdadeira por mim, mas achava que não era correspondido. Esse romance mal resolvido ficou na sua cabeça, tanto que quando ele se casou, ele decidiu morar no mesmo bairro em que eu morava quando nos conhecemos, muito longe de onde ele viveu até então. 

Um dia, nos falamos ao telefone, ele disse que gostaria de marcar um café, um almoço comigo, mas tinha muito medo da esposa descobrir, ela é muito ciumenta (depois de quase 20 anos de casamento, isso é doença!). Fazer o quê, né? Paramos de nos falar, antes que a jararaca descobrisse nosso inocente contato.

Mais alguns anos se passaram e ele me adiciona no Facebook.Piorou, ali os contatos são mais públicos e a ciumenta monitorava a página dele. 
Um belo dia, estou eu na locadora  do MEU bairro que ele invadiu, certo? Ele chega com mulher e filhos. Eu sendo atendida no balcão, de frente para a porta. Era, assim, impossível entrar sem me ver.

Pois ele entrou, fez de conta que não me conhecia, e foi para os fundos da loja. Cheguei em casa e deletei-o do Facebook. Que amigo é esse? Sequer um sorriso, um tchauzinho. A cena foi ridícula, um homem feito com medo da mulher. Antes de mais nada, fomos muito amigos, nem mesmo houve intimidade no nosso romance platônico! Mas vivemos momentos bons, com ele eu aprendi a dirigir, ele me ensinou a gostar de rock progressivo, de Richard Bach, de Guerra das Estrelas. Amizades assim só cosntruimos na adolescência. 

Talvez seja esse o segredo: o que é passado, deve ficar no passado. Agora já não me empolgo mais ao reencontrar alguém e fazer milhares de promessas de nos reencontrarmos, trocarmos números de celular e tudo mais. Ambas as partes sabem que não haverá mais contato, eventualmente deixaremos uma mensagem de Parabéns! no dia do aniversário e, com muita sorte, uma mensagem de Natal.

Eu gostaria mesmo de retomar essas amizades, reencontrar essas pessoas, mas falta tempo, a vida passa rápido, as oportunidades devem ser criadas e não deixadas ao acaso. 
Felizmente, alguns amigos  são para a vida toda. Você pode ficar muitos anos sem ve-los, sem falar com eles, e no momento em que os reencontramos, parece que faz uma semana que nos vimos pela última vez.

(Mary, você é uma dessas amigas, que eu guardo no coração com todo carinho. Você, além de ser minha amiga de toda vida, é a prova de que não se precisa estar fisicamente perto, a amizade transpõe fronteiras e distância - e olha que você já morou até em  Rondônia!)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Se pudesse voltar no tempo...

Outro dia, estava caminhando no shopping, distraída, quando me deparo com um doido careca e barrigudo, acenando freneticamente na minha direção. Eu fiz o que qualquer um faria na minha situação: ohei para os lados e para trás, para saber se era comigo MESMO que aquele estranho ser estava falando. Era.
Trata-se de um colega do colégio, que eu não via há mais de 20 anos.Só depois que ele se identificou é que pude reconhecer vestígios daquele rapaz tímido que estudou comigo no 2º grau. Ele estava casado há 18 anos com a mesma mulher, tinham um casal de filhos. Ele trabalhava na mesma empresa desde sempre, morava na mesma casa, a vida dele parecia ter transcorrido sem grandes sobressaltos. Exatamente o oposto do que aconteceu na minha vida -eu casei duas vezes, não tive filhos, minha família antes conservadora, mostrou-se com o tempo ser um bando de pessoas descompensadas (vulgarmente, desequilibradas), com as quais mantenho um relacionamento  cauteloso, sempre tentando me proteger física e psiquicamente.
Aí vem a dúvida: como vim parar aqui? O que deu tão errado para que eu viesse parar nessa sanice que é minha vida hoje?
Mas olhando aqueles olhos cansados do meu velho amigo, que aparentavam bem mais do que seus 40 e poucos anos, percebi que o comodismo e a rotina também cobram um preço. O preço da segurança é a perda do brilho, da graça, do "je ne sais quoi", como dizem os franceses.
Se eu tivesse que viver minha vida novamente, eu ainda escolheria ser inquieta e arriscar o certo pelo sonho. Eu, definitivamente, não me acomodaria em um emprego monótono, em um casamento monótono, por medo ou falta de opção. Exatamente como foram as minhas escolhas até hoje. Mas, se eu pudesse voltar no tempo, eu só gostaria de aprender a ser TOLERANTE. Eu perdi amores, amigos, oportunidades, por ser radical em alguns momentos. Aquele namorado que não agiu da maneira como eu esperava ... eu teria mais paciência e compreensão, respeito pela maneira dele ser e pensar, ainda que diferente da minha.

O grande erro da minha vida foi não ter respirado fundo e contado até 10, em situações de conflito. Nessas sitiações, eu sempre empunhei a espada e me protegi com um escudo, e não dei uma segunda chance a pessoas que eu amava.


Mas aprendemos com os erros, não é mesmo? Se um dia eles serão remediáveis, só o tempo dirá...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

QUANDO PARECE QUE VAI MELHORAR...

Leitores queridos, ando escrevendo pouco. Pouquíssimo, eu sei. Idéias pululam na minha mente nas horas mais impróprias: quando estou dirigindo, tomando banho ou tentando dormir. Quando me sento à frente desta telinha, a inspiração acaba.  Provavelmente isso se deve ao desânimo que tenho sentido ultimamente. 

Problemas eu tive, e muitos, nos últimos anos. Mas a cada problema eu me armava de forças e encontrava uma saída. Eram desafios. No entanto, eu nunca deixei de acreditar que era uma fase e que logo passaria. Só que essa fase "maledeta" já dura alguns anos, e toda vez que consigo resolver um problema eu penso que vai melhorar. Mas aí aparece outro problema maior ainda. E a "coisa" vai crescendo, crescendo, e agora eu já não consigo mais acreditar que um dia vá passar. 

Recentemente, meu pai recebeu o diagnóstico de Alzheimer. A notícia da doença, por si só,  já é uma paulada na cabeça. Some-se a isso uma família louca e desorientada, onde interesses financeiros falam mais alto do que o bem-estar e a saúde das pessoas que a compõe. É sofrimento dobrado!

As pessoas precisam de um "ninho", de um lugar seguro para se refugiar nos momentos difíceis, e eu não tenho isso. Ao contrário, tenho pessoas na família que fazem de tudo para se beneficiar com essa triste situação. É difícil ver a corrupção, a violência, a maldade que existe no mundo pelos noticiários da TV. Mas, e quando essa realidade está dentro da sua família? Aquela pessoa que você conhece desde que nasceu, aquela que deveria lhe estender a mão, torna-se seu pior inimigo. Como lidar com isso?

Hoje eu peço licença, ou como se diz no "juridiquês", data maxima vênia, e vou dividir minhas lágrimas com vocês. Hoje eu quero só colo...

sábado, 28 de maio de 2011

SÓ QUEM TEM É QUE SABE O QUE É...


Existem experiências na vida que, somente quem passou por elas, é capaz de avaliar a intensidade de alegria ou sofrimento que elas causam.
O exemplo atávico dessas experiências é o nascimento de um filho. Apesar de eu não ter filhos, sei que  é um divisor de águas na vida de qualquer ser humano. 

A minha experiência mais intensa foi conviver durante muito tempo com a Síndrome do Pânico. E, a exemplo do nascimento de um filho, só quem vivenciou é que pode – e tem o direito – de avaliar o que é. Sim, pois quem nunca passou pelos sintomas e restrições que esse quadro oferece, costuma minimizar o sofrimento de quem é portador desse transtorno.
Alguns dizem que é frescura, outros acham que com "força de vontade" a pessoa conseguiria superar suas dificuldades causadas pela doença. Muita gente já me falou que o pânico nada mais é do que uma maneira de "chamar a atenção", carência e outra mer*&#@ .

Eu tinha 7 anos de idade quando os primeiros sintomas se manifestaram. Imagine isso, na década de 70, quando todo e qualquer comportamento fora do normal era considerado doença mental, loucura.
Seria eu louca? Eu tinha tanto medo do meu medo, que não compartilhava com outros o que eu sentia, a não ser meus pais. E estes, por desconhecimento, achavam que era frescura mesmo. Eu ainda levava bronca e era tratada com desdém quando manifestava meu medo de ficar sozinha, meu medo de morrer ou medo do medo...

Felizmente, com o passar dos anos, essa angústia foi diminuindo e inexplicavelmente o pânico foi se aquietando. Mas ele estava latente... na minha adolescência, aos 15 anos, ele voltou. A crise da adolescência misturou-se ao transtorno do pânico, mas eu pude compartilhar minhas angústias com algumas poucas amigas. Descobri que elas, também, tinham alguns medos inexplicáveis, apesar de se manifestarem em uma proporção infinitamente menor do que os meus. Mas essa descoberta aliviou o meu maior pavor: o de eu não ser uma pessoa normal, de ser portadora de uma loucura que eu deveria disfarçar e esconder das pessoas, para poder ser aceita.

Passado  o auge da adolescência, novamente e milagrosamente, o meu transtorno regrediu e foi justamente na fase em que eu ingressei na faculdade de Direito. Aos 17 anos eu fui aprovada nas 3 melhores faculdades de Direito de São Paulo. Obviamente, escolhi a Faculdade de Direito Universidade de São Paulo, conhecida como São Francisco. Foi um sonho realizado e um banho de auto-estima.
Nesse período, que durou 5 anos, a vida resolveu me dar uma folga e disse: vá ser feliz! Eu aproveitei, viajei, namorei, me apaixonei, fui livre como eu sempre sonhei ser. Trabalhava, tinha meu dinheiro, estudava à noite, já era dona do meu nariz.
Ao final dos anos 80, o pânico voltou. Eu estava dirigindo em uma estrada, sozinha, rumo ao litoral. No meio do caminho, ele voltou. Fiquei apavorada no meio do nada, longe da cidade, sentido-me frágil, insegura, sozinha, sem opção a não ser seguir em frente ou voltar.

Estava instalado o medo de viajar sozinha. A primeira limitação que surgiu. E outras vieram em sequência: medo de lugares fechados (ir ao cinema passou a ser uma tortura), medo de ficar presa no trânsito, estar longe de casa, qualquer situação na qual eu não pudesse fugir, no momento em que eu desejasse. Na cerimônia do meu casamento, rezei o tempo todo para que não me desse uma crise e eu tivesse que sair correndo do altar. 

E não precisava ser um lugar fechado, bastava eu me sentir em uma situação na qual eu não conseguiria sair do local sem chamar a atenção das pessoas.
Na época eu dava aula, meu coração ficava disparado o tempo todo, com medo de me dar um piti e eu ter de sair da sala – o que pensariam os alunos??
O cérebro começa a pensar em mil coisas, parece que ele é seu pior inimigo, que está te sacaneando 24 horas por dia! Sim, pois muitas pessoas têm crises de pânico quando estão dormindo!

Procurei médicos, terapeutas, na sua maioria profissionais despreparados, alguns picaretas.
A primeira psicóloga que eu procurei quis me tratar com Florais de Bach. Talvez isso possa funcionar quando o paciente está um pouco ansioso, mas, definitivamente, jamais deve ser considerado um tratamento para um paciente que apresenta sintomas severos de Transtorno do Pânico. 
Sou totalmente contra profissionais que usam tratamentos alternativos para tratar doenças sérias e debilitantes e tenho motivos para assim pensar.

Por isso, digo com conhecimento de causa: quando alguém tem uma doença, deve procurar um médico sério e deixar essas terapias alternativas apenas como um complemento ao tratamento médico. Perdi tempo, dinheiro e, principalmente, perdi a fé de um dia me curar, depois de passar por pelo menos uns 10 profissionais, entre médicos, psicólogos, sem resultado.

Cheguei a um ponto em que meu transtorno de pânico tornou minha vida um inferno, eu já não conseguia sair de casa, tinha medo praticamente o dia todo,com aquela sensação de algo muito ruim iria acontecer no próximo instante, não conseguia trabalhar. Eu estava no fundo do poço. Só tinha forças para mais uma tentativa. 

Descobri um site na internet, em 2003. Comecei a ler os relatos dos pacientes, as respostas do médico responsável pelo site, descobri que o que eu sentia era igual ao que milhares de outras pessoas sentiam, também.
Descobri que o Transtorno do Pânico é uma doença, assim como o diabetes, as doenças na tireóide, enfim... é uma doença física, cujos sintomas são psíquicos.
O cérebro é um órgão como outro qualquer do corpo humano, porém, quando existe algum problema funcional no cérebro, ao invés de se sentir dor, inchaço, febre, ou qualquer outro sintoma físico, o nosso psicológico é que apresenta alterações. 

Os pensamentos ficam desordenados, e causam um tremendo mal estar. Tudo isso causado por um DESEQUILÍBRIO DOS NEUROTRANSMISSORES.
O melhor de tudo: isso tem cura – ou, na pior das hipóteses, tem tratamento que controla todos esses sintomas desagradáveis.
Existe um indevido preconceito em relação aos medicamentos para tratar muitas dessas doenças. Muitos erroneamente acreditam que os antidepressivos são remédios perigosos, que causam dependência e deixarão a pessoa "grogue", diferente do seu estado normal.
ERRADO! Os antidepressivos não causam dependência, não da forma que os benzodiazepínicos causam (os famosos calmantes). Os antidepressivos têm a função de normalizar os níveis de neurotransmissores do cérebro. Assim como a insulina normaliza a glicose no sangue. 

Os antidepressivos de última geração praticamente não apresentam efeitos colaterais, eu faço uso há 8 anos do mesmo medicamento, minha médica monitora todas as minhas funções orgânicas por meio de exames anuais completos. Faço exames para avaliar fígado, estômago, coração, rins, enfim, check up geral, os medicamentos não causam nenhuma alteração fisiológica no meu organismo. 
O único sintoma que eu tive foi uma melhora considerável no meu humor, na libido, na ansiedade.

No meu caso, devido à demora em buscar um tratamento adequado (foram mais de 10 anos), o transtorno do pânico se tornou crônico, por isso, provavelmente terei de tomar remédio por muito tempo, mas eu convivo perfeitamente bem com isso. Não tenho sintomas, ainda evito certas situações (avião, lugares fechados), mas minha qualidade de vida melhorou 99%.

Eu cresci e amadureci com essa doença. Passei a ser tolerante com as dificuldades dos outros. Tornei-me mais forte – não é fácil conviver com os sintomas, exigia de mim força e determinação para não deixar a peteca cair!

Resolvi deixar aqui este relato, para ajudar pessoas que sofrem com TOC, depressão, transtorno bipolar, ansiedade e outras doenças que se tornam cada vez mais comuns em nossos dias.
Para aqueles que desejam saber mais sobre o assunto, acessem o site www.mentalhelp.com.br
Ali você encontrará explicações sobre vários transtornos, relatos de pessoas e seus familiares que convivem com essas doenças, informações a respeito de tratamentos, medicamentos e, acima de tudo, espero que as pessoas encontrem ali a esperança que eu encontrei. Foi por meio deste site que eu conheci minha médica, a quem eu agradeço todos os dias por ter me ajudado a voltar a viver.