Hoje estou triste. Triste porque algumas situações tomaram um rumo indesejável, ou melhor, não tomaram o rumo que eu desejava. Aí fiquei pensando em como teria sido bom se minhas expectativas tivessem se tornado reais, nem seria nada de mais, bastava uma forcinha do destino e eu estaria muito mais feliz agora.
No entanto, acho até que sou injusta por reclamar do que não deu certo, já que tenho vivido momentos bens legais, recentemente. Minha visão de felicidade parece permanecer arraigada à imagem do passado, da família feliz, do comercial de margarina. Mas,vamos combinar, isso "non ecxiste", ou está restrito a pouquíssimos felizardos.

Um exemplo disso é um jovem amigo meu. Ele tem apenas 25 anos, é um rapaz doce e educado, sorridente, e de uma beleza muito acima da média. Olhando para ele, ninguém imagina as inseguranças e angústias que passam por aquela cabecinha. Aparentemente, ele tem tudo: um emprego, faz faculdade, tem uma namorada oficial e várias "por fora", tem carro, tem família, é dono de uma beleza ímpar. E ele é uma das pessoas mais carentes que eu conheço...
Fico me perguntando: onde está o amor? Todos estamos doentes pela falta de amor! Não falo de paixão, nem de tesão...amor mesmo, puro, verdadeiro. Não existe mais?
Talvez estejamos fadados a nos curarmos da única maneira possível: aprendendo a suprir nossas carências com nosso amor por nós mesmos. Amor próprio, independência, autoestima, aprender a SE BANCAR.
Esse será o desafio dessa geração.
Transcrevo parte de um texto muito interessante da Martha Medeiros:
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Os felizes ainda estão associados ao padrão "comercial de margarina", portanto, costumam ser idealizados - e desacreditados. É como se fossem marcianos, só que não são verdes. Por isso, damos mais crédito aos angustiados, aos irônicos, aos pessimistas. Por não aparentarem possuir vínculo com essa tal felicidade, dão a entender que têm uma vida muito mais profunda.
Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso. Mas também não se culpe, porque felicidade é coisa bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda. Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
O psicanalista Contardo Calligaris certa vez disse uma frase que sublinhei: "Ser feliz não é tão importante, mais vale ter uma vida interessante". Creio que ele estava rejeitando justamente esta busca pelo kit felicidade, composto de meia dúzia de realizações convencionais. Ter uma vida interessante é outra coisa: é cair e levantar, se movimentar, relacionar-se com as pessoas, não ter medo de mudanças, encarar o erro como um caminho para encontrar novas soluções, ter a cara-de-pau de se testar em outros papéis - e humildade para abandoná-los se não der certo. Uma vida interessante é outro tipo de vida feliz: a que passou ao largo dos contos-de-fada. É o que faz você ter uma biografia com mais de 10 páginas.
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