Hoje é aniversário de uma amiga querida. Estudamos juntas na faculdade, ficamos alguns anos afastadas, até que eu a convidei para ministrar aulas em um curso que eu coordenava. Desde sempre ela foi gordinha. Não teve quase namorados, mas sempre esteve rodeada de amigos, Ela lembra um pouco a Silvia Popovik, com a diferença de que ela é muitooooo bem humorada (coisa que a jornalista nem sempre parece ser). Durante o tempo em que trabalhamos juntas, pude observar o quanto ela é querida pelos alunos e o sucesso que ela faz com os homens, mesmo não sendo o padrão de beleza imposto pela mídia. Não que ela seja desprovida de beleza, de modo algum. Ela se veste bem, é uma mulher bem tratada, é feminina, tem bom gosto. Mas não há como negar que está bem acima do peso.
O interessante de se notar é que, a despeito de sua aparencia não corresponder ao modelo de "mulher ideal" ela é de longe a mulher mais feliz e bem sucedida que eu já conheci até hoje. Ela se casou com um homem atraente, vaidoso, preocupado com sua boa forma e que, eventualmente, pega no pé da esposa para que ela faça uma dieta, essas coisas normais de um casal.
Não obstante a preocupação dele com a estética, ele segue apaixonado pela esposa há quase 20 anos. E não pensem que ele é a única opção que a vida reservou à doce gordinha. Há um amor platônico em sua vida, alguém que a ama há décadas em silêncio, respeitando o seu comprimisso matrimonial - e esse alguém é um homem m-a-r-a-v-i-l-h-o-a-m-e-n-t-e atraente e interessante. Nem a mais bela mulher da face da Terra, creio eu, tem um amor fiel como esse, que se manteve solteiro até hoje, apesar de breves relacionamentos sem importância.
Por outro lado, tenho amigas lindas, por onde passam os homens viram para trás para olhá-las. Morrem de fome para se manterem magras (com exceção de duas que comem para não ficarem magras demais...ai que inveja), apenas são um pouco tímidas e reservadas. Estão quase sempre sozinhas, é inacreditável!
Com isso, chego à conclusão que, para ser feliz no amor, há que ter um pouco de sorte. A beleza, com o tempo, cai no vazio, vira rotina. A partir daí, o que vai valer é a companhia agradável e espirituosa de uma pessoa bem resolvida, que saiba aliar charme, senso de humor e BOROGODÓ.
Esse segredo minha amiga ainda não me contou. O fato é que as gordinhas parecem ter mais borogodó, atualmente. Por isso, os quilinhos que ganhei nos últimos meses não estão me afligindo tanto quanto antes. Apesar dos comentários maldosos de mammy, que considera obesa qualquer mulher que esteja 5 quilos acima do peso normal, volto a usar meus vestidos mais curtinhos e minhas roupas decotadas. Os quilinhos estão sendo perdidos vagarosamente, afinal, para que pressa? Como dizia um amigo meu: eu não sou gordinha, eu sou pedaçuda!
E viva o borogodó!
















